verbo21
créditoscontato
seções
selva studio webdesign

Entrevista
Paula Taitelbaum
por Maiesse Gramacho

“Sou a soma das minhas leituras e, principalmente, das minhas experiências”

Não seria exagero dizer que a escritora gaúcha Paula Taitelbaum, 37, é uma mulher movida pelo desejo. Mulher. Desejo. Duas palavras que combinam bem. Combinação que Paula usa e abusa para escrever seus versos. Sua escrita é vigorosa, sensual, feminina. Certamente porque enxerga a literatura não como trabalho, mas como paixão.

Recentemente, a editora L&PM lançou Ménage à Trois, livro que reúne num só volume seus três trabalhos anteriores: Eu Versos Eu (1998), Sem Vergonha (1999) e Mundo da Lua (2002). Sobre o novo livro e também sobre inspiração, erotismo e influências, Paula – que além de escritora é publicitária e mãe – falou à Verbo 21.

Maiesse Gramacho: A L&PM acaba de lançar um livro que reúne três obras suas: Eu Versos Eu, Sem Vergonha e Mundo da Lua, mais alguns poemas inéditos. Gostaria que você falasse, brevemente, sobre cada um desses livros.

Paula Taitelbaum: Explico isso na introdução do livro e acho que vale aqui: Eu Versos Eu, lançado em 1998, é o mais velho e ao mesmo tempo o mais juvenil deles, o que me desvirginou editorialmente e me levou da gaveta para a vitrine. Sem Vergonha, que veio no ano seguinte, marcou minha entrada na L&PM e, como uma espécie de irmão do meio, lutou para chamar atenção. Mundo da Lua, de 2002, lançado depois de eu ter me descoberto como mãe – e conseqüentemente como mulher – explicitou o erotismo e desnudou poemas mais longos.

MG: O que te inspira?

PT: De um modo geral, acho que tudo o que me causa espanto, emoção ou curiosidade: minha filha, manchetes de jornais, um livro, um amor, histórias que me contam, cenas que observo de longe, uma música, uma fotografia... Basta deixar-se inspirar.

MG: Sua poesia é bastante sensual, erótica e, há quem diga, até pornográfica. Como você definiria seu, digamos, "estilo"? Alguma razão em especial para preferir o erotismo na hora de escrever?

PT: Sexo é prazer, liberação, ousadia. E também pode ser solidão, repressão, dor... É um tema farto de possibilidades. E além de atingir a emoção, causa sensação. Acho que todo artista busca isso.

MG: Em um texto você escreveu: "Estou bem menos feminista, bem mais feminina e bem melhor comigo mesma". O que quis dizer, exatamente, com esta afirmação? Estar mais feminina altera em algo a sua literatura?

PT: Não lembro quando escrevi isso. Mas a essência da afirmação é a de que amadureci. Deixei de ser menina e virei mulher. Isso tem a ver com a idade, com o fato de ter tido uma filha e com saber fazer escolhas pessoais e profissionais.

MG: Faz idéia de quem te lê? Conhece o perfil do seu leitor?

PT: Acho que o público é bem eclético, homens e mulheres de diferentes idades e de vários cantos do Brasil.

MG: E quem você lê?

PT: Vou dizer o que tem na minha mesa de cabeceira no momento: Truman Capote, Tom Wolfe, Eduardo Bueno, Cíntia Moscovich e mais uns dois ou três que agora não lembro, além de livros sobre propaganda de medicamentos. Devo ser esquizofrênica, leio tudo ao mesmo tempo agora.

MG: Algum autor influenciou diretamente na sua maneira de escrever? Em que sentido aconteceu essa influência?

PT: Não que eu tenha consciência disso. Sou a soma das minhas leituras e, principalmente, das minhas experiências.

MG: Está escrevendo algo no momento?

PT: Um livro sobre a história da propaganda de medicamentos no Brasil.

MG: Como você avalia a produção literária brasileira atual? Que autores destacaria?

PT: De excelente qualidade. Muita coisa boa de muitos estilos diferentes. Destacaria, no momento, dois livros maravilhosos: A Coroa, a Cruz e a Espada, de Eduardo Bueno, e Mamãe, por que sou gorda?, de Cíntia Moscovich. Quem não leu, que vá correndo ler.

MG: Com a Internet, ficou mais fácil para o leitor fazer contato com o escritor, já que muitos têm sites ou disponibilizam e-mails. No seu caso, como é esse contato via Internet? Você acha esse contato profícuo?

PT: Acho ótimo. É muito bom receber retornos de leitores. Eu sempre respondo.

MG: Que balanço faz do ofício de escritora?

PT: Difícil fazer balanço. É mais do que um ofício, é uma paixão.

Para quem não conhece a poesia de Paula Taitelbaum, a Verbo 21 selecionou três poemas que estão em Ménage à Trois (Editora L&PM):

Sou de poucos amigos
Grandes partidas
Partes rompidas
Sou de não falar demais
Despedidas no cais
Sou da cor lilás
Sou feita de névoas
Nódulos e néctares
Sou de aparecer de repente
De repetir sentimentos
Forçar certos momentos
Sou do tamanho de mim
Molécula carmim
Malévola no fim.
*

Sopra aqui no meu ouvido que eu sou melhor
do que as outras sopra um sopro de sempre
sua vai sopra que eu vou à loucura sopra e
supre essa carência soprando em cima da
ardência.
*

Essa minha
Languidez
Esconde
Uma insensatez
Vontade
De ser nudez
Tipo
Nuvem
Que depois
Da chuva
Às vezes
Some
De vez.
*

Quer saber mais sobre Paula Taitelbaum? Visite seu site: www.mundodapaula.com.br

 

topo | página inicial


tribuna
entrevista
ensaios
opinião

colunas
crônicas havaianas
dagerreótipos

eros+errante
kaos kapital

verde
vértebra

 

artista do mês

Bud Artie



O QUE ROLOU ANTES

verbo21 vintage

 

PARCEIROS

bestiário

selva

União Brasileira de Escritores