
Tribuna
André Müzell
A MULHER QUE VI
Não sabia, mas agora sei. Sei um pouco, não muito, mas quando não sabia pensava que era díspar. Pensava diferente. Diferente do que é hoje. Permita-me, um pouco mais, te olhar com esses olhos. Posso ir distante, ah! mas não deixe que me perca. Controle um pouco a passagem, pois não quero ir tão rápido assim. Saber quem é você não é mera vaidade. –Não?
Pedi um pouco disso, pois te tenho com bons olhos e isso já basta para saber. E de mim não preciso contar. Sou exatamente esse que tem essas curiosidades. Esse que quer saber chegar. Esse que não quer ferir. Esse que te provoca. Esse que tira de ti conclusões precipitadas. Esse mesmo. Às vezes é você que não percebe.
-Mas perceber o que, se estamos falando de outras coisas?
Deixa de ser chata e pare de exigir respostas diretas para isso. Estou brincando nas suas regras. Será que é você que não percebe a diferença da minha brincadeira com a sua atual seriedade? Pois, bem, sim. Então continuaremos. Uma das coisas que eu percebi é a maneira que fala comigo. Consigo perceber a entonação das palavras e das frases quando se dirige a mim. Mesmo aqui e agora que está procurando a solução para esse dilema. Tu está fazendo isso. Não procure, pergunte. Não fique esperando. Haja. Sim, é a resposta para essa sua pergunta. Sim.
Então, ou é você ou eu, quem vai começar? Podemos escolher em uma moeda, já que agora não faz mais diferença em entender isso que eu estou falando desde o começo.
– Entendi sim. Mas até onde você conseguiu chegar? Por que isso agora? Eu te fiz alguma coisa?
Calma! Uma resposta depois à outra. Cheguei até você. Por isso, pude perceber essa idéia que te falo agora. Agora entendo exatamente o que sempre repetiu. Foi agora que consegui colocar tudo isso para fora. Escrever, mais precisamente. Aceita-me do jeito que eu sou, ou quer modificar alguma coisa que não te agrada?
-O que você me fez? Despertou-me quando o sonho não era bom. Não via isso tudo com essa graça. Achava que sempre era um defeito meu. Algo assim. Mas, sim, depois entendendo tudo e juntando as pecinhas desse meu quebra-cabeça, e ele não é pequeno, posso te dizer, sim. Isso sim é amor. Amor sim. Esse amor que devemos ter, mas agora procure me entender como eu te entendi. Meu amor, amiga, é a amizade por você mesma, assim.
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