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Colunas: VÉRTEBRA
chchchchchiiiiiiiitação
chhchchhchchhchcuuuuuuuutação
cccccccccccccccccccccciiiiiiitação
por Rã Cinza


...eis a questão, citar ou não. Questões mis se põem, citar ou não. Se, muito daquilo que aprendemos na vida não entra, então, porque querer e/ou ter de fazer entrar, e, tão bem referido? Uma frincha abre-se para concatenações circulares, não é somente minha, vejo outros com isso se ocuparem. Talvez fosse melhor esquecer os endereços e os pais e, mantê-los amigos-moradas, como aqueles que nos excitam, que nos instigam, mas dão, gratuitamente e carinhosamente, suas dicas. Se há quem seja pura fama o é também pelo esquecimento que lhes outorgam a grande visibilidade. O amado é o amante que esquece, meio bobinho desocupado, mas a força está sempre para o lado do amante, esse é gente que faz, mesmo que seja escândalo.

Fica o barulho, uma preocupação, um tanto neurótica e, uns outros, os ocupados com fenômenos e fantasmas, com vontade de honestidade, nesses tempos e mundos isso é coisa espantosa. Entretanto, existe um momento, um ponto no qual, tais questões travam suas teias, suas rendas, seus ganchos na terra úmida revolvida pela ação e pelo ruído. A terra, paisagem e enquadramento nos ensina que caminhar pressupõe uma demarcação.
Novamente vem o problema da citação. Ao marcar meus pés no barro, no asfalto digo caminhos através dos quais meu peso torna-se bagagem de outros multiálogos, isso é, em mim uma fala é intermitente, o tempo todo, daí toda graça e potência na escrita esplendorosa de Joyce, de Clarice, de Artaud, de Carolina, gente doida. Eles ouviram os ruídos e para além das rotas funcionais fulguraram tramas consternadoras, mas que desdobram em obras, é só prestar à devida atenção, de certa forma todos fazem isso. São leitores do mundo, que de tão sabidos esquecem-no, são feitores do mundo, que de tão díspares fulminam-no com suas ferocidades, são grandes artesão que por meio das suas ruminações devolvem o mundo velho, colapsado, em novo, em vitalidade e brilho. Seres brilhantes, capazes de ascender pelo sofrimento. A carne é metafísica porque se pergunta quando dói e quando goza... até quando? Das torções viscerais desse barro de fezes e dos lixos, e das palavras ruins o anagrama é refeito e voilà – o coelho branco, a fina flor de lótus explode na cara do catador encantado e túmido. E, seja ele mulher, homem ou elefante, transcende, penso nos elefantes, vacas e peixes, todos estão liberados para isso.

Mais três tempos, ou mais um dia, seria o necessário para resguardar o ser do susto abissal. O tempo da virada de páginas, do olhar perdido no ar. O prudente esperar que a fisgada que ataca o peito e que constringe a garganta passe.

O eu é quem mesmo? Compósito, bricoler, estrangeiro ensimesmado. Quem não sabe disso nunca terá o mínimo de paz para escrever porque está sempre a espreita do tempo inaugural perdido. Não se brinca com essas façanhas, só pode achar resposta aquele que conseguiu proferir as perguntas corretas. Uma pergunta correta é trabalho de uma ou várias vidas. O resto é bobagem é medo e dominação. Obrigada, mas está frio. Como são frios e, tão desmesuramente, prêt-à-porter as reclamações sobre o jeito de ser do solitário. Há um bando no um e, um perigoso Um no bando. Necessário é subir escadas e fortalecer as pernas para pensar melhor.

Se você não consegue escrever, o melhor exercício é alongar e atentar aos movimentos do corpo que passa o dia contando e recontando a história in progress, das nossas vidas. Assim, tudo vira, desvira, dilata e recompõe-se. E como pulsa e corre o sangue nas artérias, volto à vaca fria: como, quando e onde citar se ao me excitar com os textos eles acabam por se tornar vida? E texto sou eu, é o meu corpo, e se eu me desprendo enumerando e nomeando ao invés de adentrar a um campo epistemológico qualquer, eu me perco. Meus olhos desfocados não enxergam mais, a comunicação inapreensível deprime a inteligência e o músculo fraco, desoxigenado toma-me famélica. Como então não lembrar do último presente lido, tesudo e nutritivo? Um amigo passa para Nucool, que passa pela inteligência artificial, que encanta a moça preocupada com a tese que lê e... gol!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Os modos de vida inspiram maneira de pensar, os modos de pensar criam maneiras de viver – Deleuze, a fisicalidade afetiva dessa conversa foi o bastante, não dou mais que isso.

Passo para parede, vira uma respiração em letras prateadas próximo do lugar das tarefas. Próximo ao lugar onde se atesta as inibições que só podem ser suplantadas pela contínua exigência: produza! produza! Uma produção para dar conta da vontade de falar de expor esse anseio interseccionado que quer que o dentro seja exposto e o fora entranhado. Desde tempos, o esquecimento varre aquilo que excede e na maré das quebras incha com o suplemento novidadeiro, perdido e ativo, cheio de graça. Destarte, entre angústias e boas surpresas o mundo continua a sussurrar a gritar nos meus ouvidos que o tempo amadurece as mulheres e faz crescer os meninos. E para ele tudo cabe dentro, compõe como coisa una. Sejamos, pois, tempo, aquele que tudo sabe porque esquece. Gosto de Serres, gosto de José Gil, são escritores do tempo de nós, singularidades plurais. Numa conversa no carro veio à tona o não mais querer ler, o aprender brincar e saber e ensinar sobre as manhas das ficções. Lembrados foram os dois Serres e Gil, tão proximamente distantes, tão queridamente prenhes de formas na respiração, inspiram.


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Maiesse Gramacho é fotógrafa e jornalista. Nasceu em Brasília, colaborou com entrevistas e resenhas para a Verbo21.




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