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Ensaio
“Distância”, de Virna Teixeira
Por Luís Serguilha

 

A DISTÂNCIA CONSTRÓI a vigilância das alucinações fotográficas: afastamento/ participação que esbarram simultaneamente na praticabilidade das transmutações e no descobrimento dos íntimos limites do esplendor, “pelo mar, a ultima viagem do convés, o vento.” As coincidências das travessias da unificação poética revelam o desprendimento da obscuridade entre as correspondências minerais dos espaços da perspectiva abismal, abotoando as abordagens da claridade para pluralizarem as energias que apresentam as palavras iluminadoras de VIRNA. 

OS caminhos da afectividade explodem nas dimensões vegetais que cercam livremente a substância da desordem pulsional como um princípio do furor orgânico da linguagem a determinar a multiplicidade dos impulsos sobre a integração-humana do poema,
“ invisíveis rostos/ atravessam/vozes/condensada memória”.

A potencialidade vertiginosa da ciência afectiva agita a verificação da densidade musical que incandesce as enérgicas tonalidades do confessionalismo como as figurações biográficas na significação possível da incorruptibilidade interior, este incontaminado olhar envolve o brilho autónomo da consciência; esta conexão inovadora é activada pelo cosmos nativo da libertação, pois a vivacidade do espelho mítico da existência reúne as analogias das palavras de VIRNA  para manifestar a profunda excrescência musical. “Contraídos os olhos/como se olhasse a distância/ através da foto/ entre terra e grama”.

A iluminação da ascendência-amorável e real encaminha a apoteose da receptividade da claridade até ao silêncio da pulsação universal. VIRNA, materializa concisamente o esforço do magnetismo cinematográfico(relembrando a máquina manual de LARS VON TRIER) para emancipar a propagação da essência orgânica; é este maquinismo do fugidio verbal e do recolhimento minucioso que proporciona a cristalização da singularidade das cicatrizes vivas, “a costurar cada/fio/mão trémula.”

A transparência permanente da minuciosidade lacera os precipícios das epifanias com as celebrações da reconquista do sonho, “entre sombras de árvores, a noite/relva, onde pesadas as palavras/desabam como frutos/pequenas equimoses sob as polpas.”
A contiguidade entre as hostilidades terrestres e a irradiação do cibo verbal demarca as pressuposições imperscrutáveis da condição humana.sofá, o vulto imaginário de um corpo”.

A luminosidade da DISTÂNCIA intensifica o centro inextinguível da consciência como as figurações vertiginosas do real a transformarem a absoluta realização poética na compacta ária dos enigmas, “a palavra que não encontrava/ uma cena deserta/ o silêncio/ parado, ao lado do rio / nuvens/ a distância entre as/ cidades”.
A gravidade essencial da FULGURAÇÃO assume a procura do visível/indizível , do desejo, do silêncio, do olhar extremo na intensidade da solidão como duelos originários da linguagem ou do entusiasmo da dilaceração criadora; “o que o tempo desgasta/ o espaço temporário/ entre s palavras/frases não ditas/cartas nunca enviadas/diálogos imaginários”.  

VIRNA revela o domínio da indeterminável interioridade ou a concavidade secreta da palavra representando a violência regeneradora da pura metamorfose do movimento habitacional - “visitar um corpo no túmulo/onde antes havia/um sorriso solar/habitando o jardim da casa,/ trancada”. A ausência atinge a autenticidade do imediato, propiciando o equilíbrio da cadência vivificante como um furor germinativo a ressurgir entre os tecidos coerentes das formulações.

VIRNA DESINTEGRA os deslocamentos das coordenadas sensoriais para identificar as combinações intensas das palavras onde as fronteiras assinalam a estagnação integral da luminosidade sobre a paisagem alucinante das ruínas, ”pela vidraça  cardumes  escamas/uns corais onde se feriu/esguicho  púrpura”. Esta ruptura crepuscular e fotográfica imerge na decisiva harmonia do poema, desencadeando a contaminação incessante da musicalidade. Pode ser um sinal da recuperação da origem do ser humano entre a grandeza trágica do tresloucado dualismo presença/desconhecido onde o sítio da orfandade é infinito, é incerto, é a interrogação, é a transmutação, é a contiguidade do depoimento da realidade universal e humana.

A precariedade do magma verbal eleva-se na comunhão cósmica reconciliando os limites do realismo para reintegrar a existência inesperada da linguagem. Assim a potencialidade dos IMPULSOS reanima os mistérios centrípetos doutra inexplicável objectividade que valoriza a violência do encadeamento poético como um sol transversal e instável a descer à verdadeira espessura da essência autobiográfica de VIRNA ou possivelmente a iluminura do  confessionalismo-écran na fatal transgressão do cântico ou a subterrânea confidência da palavra a renovar a participação existencial,  “ a esferográfica intima das palavras”.

O ancoradouro da inexistência / essência  salienta a enigmática expressão do nativo-ser  fundando a efectivação poética sobre a iminente cena da espiral comburente que extrai incessantemente os visitantes das moradas gretadas como a louca circularidade das palavras a guarnecer o acto do mistério, “uma cortina vermelha. Lá fora túneis, automóveis”.

A junção imperscrutável das experiências sensoriais reinventa a heterogeneidade da cartografia destes poemas onde a desocultação colide substancialmente no acostamento mais intrínseco.

A FUNDIÇÃO amorosa distancia a vulnerabilidade das aparências para peregrinar na convalescença do silêncio. Será a liberdade INTANTÂNEA do poema ou  um eixo mutável e irreconhecível a interpelar a perseguição da porosidade entre a multiplicidade do relâmpago?. VIRNA opta pela pura matriz cósmica desembainhando as fisionomias possíveis dos feixes da transparência. Podem ser os simulacros da DISTÂNCIA  a assolar a cisão dos andamentos que unificam os frutos derramados sobre a concórdia duma abertura inaugural . Esta manifestação compendia os habitates concretos da linguagem através do aperfeiçoamento da convergência silenciosa.

O descobrimento do incomensurável é característico da condição humana onde a análise da ascendência pressente a desobediência da palavra libertadora; aqui a assídua incerteza  consagra a humanidade e a fidelidade subterrânea do ser ou provavelmente o mistério da ausência sobre a identidade verdadeira da respiração.

VIRNA  participa na INVENÇÃO da DISTÂNCIA global da realidade, regressando sempre à origem da criação poética para ampliar as biografias da realidade, onde outra realidade persegue o espectro do deserto, “o que resta memória e o desejo/ ainda/ de uma ultima palavra”.

VIRNA ENTRE O SILÊNCIO do desejo da poesia ABANDONA a parábola das certezas através da fulguração informulável do canto.

 



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Ernesto Diniz é estudante de Letras na UFBA, webdesigner, diretor de arte, fotógrafo amador, escritor amador, humano amador e amante.


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