
Colunas: KAOS KAPITAL
Pelo Retorno de Juliano Apóstata!
por Alex Cojorian
O Papa é pop, e não fui eu quem falou: está em todas as mídias há semanas, e as multidões o seguem! Além disso é liberal, mas só pela frente, que pelas costas não passa de ultra-reacionário. Mas também, o que esperar de uma instituição falida como a Igreja? Que seja moderninha? Só quando se trata da segurança papal: aí, meus caros, é tudo de última geração, que de belicosidades nosso Papa entende bem. Querem ver?
Abri o jornal (abra também, está em qualquer um) no domingo, estava lá a fotinha do então jovem nazi papa, com a expressão engomada e orgulhosa como o uniforme escuro que ostentava. A legenda explicava: “o jovem Ratzinger, aos dezesseis anos, a contragosto trajando o uniforme da juventude nazista”.
Fetiches à parte, é preciso reconhecer que o uniforme desbotou para o branco, e de engomada a expressão passou a amassada e cheia de vincos, com aquelas estranhas olheiras lembrando muito o mestre do Dart Vader de Guerra nas Estrelas – tudo a ver, pois os uniformes do Império foram inspirados na estética militar nazista.
Babaquices, rapapés, beija-mãos e protocolos à parte, gostei mesmo foi do comentário do ministro da saúde: “infelizmente os homens não engravidam. Porque se engravidassem a questão já estaria resolvida há muito tempo”. Solenemente ignorado o alto dignitário, muita gente feliz com a visita do nazi Papa, Lula e Serra na fila pela benção familiar – acho que, na verdade, ambos buscavam era uma remissão dos pecados, mas essas coisas não se concede em público, e afora isso não nos esqueçamos que há uma carga de anos de governo e de pecadilhos mais ou menos rotundos pela frente, e ainda não soubemos de nenhum caso de remissão a pecados futuros.
Mas há coisas novas sob o sol sim! Se a partir de agora há santo brasileiro, então é muito possível essa remissão do amanhã, conversando a gente se entende, e ali só há gente – e não gentios –, quem sabe o pecado do aborto fica como está e o Lulinha ganha uma carta de futuro santo ou escritura de terreno no céu.
Além disso, São Paulo (o estado, não o santo) decretou feriado na sexta-feira, pela canonização de frei Galvão, e as gentes todas do país ficamos torcendo para que a messe se estendesse à Cidade da Bahia ou a Brasília, até porque nossos mui dignos deputados já encerraram as atividades, tendo votado, longe dos holofotes, seu nobre e tão protelado aumento salarial.
Tantas coisas boas e belas em uma semana tão amena até me fizeram esquecer de falar do Juliano. Que Juliano, perguntareis, incautos leitores! Ora, só podemos estar falando de Juliano Apóstata, o último imperador romano sensato. Dizem que foi bom administrador e bom estrategista. Talvez daí ter sido morto tão cedo. Quanto à sensatez, deixou crescer a barba e legalizou novamente as religiões pagãs, concedendo o inverso à cristandade: esses, para a alegria do povo, ele mandou de volta ao circo, para brincar com os leões.
Milenarismos, profecias apocalípticas, papas alemães, o mundo está ao avesso. Sou, portanto, favorável a dar descanso a Jesus, que já está trabalhando há 2.007 anos (!!), mandá-lo para casa e reconvocar Juliano para garantir, já não digo a nossa soberania e direitos individuais, mas ao menos nosso bom humor.
Enfim, pela ressurreição de Juliano Apóstata!
Ave et Vale!
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