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Colunas: KAOS KAPITAL
11/09, 12/09, 13/09 etc etc...
por Alex Cojorian

 

Foi nada não. Mas não aconteceu nada, outra vez. Afora a seca regular e excruciante, e devorada metade do Parque Nacional pela queimada sequaz, neste esquecido setembro de 2007 só pintou mesmo um videozinho fuleiro do Bin Laden – de barba tingida, diga-se de passagem: será lícita essa vaidade ao maometano? Se no Corão nada se opõe... Vídeo fuleiro mas tocante, na singela convocatória ao povo americano para arrebanhar-se ao Islã, com vistas a cessar a sangrenta cruzada entre este e seu ex-amigo Bush na paz de Alá.

Insensível a massa, restou à tv a responsabilidade de não oferecer trégua: e daí entra em ação a tropa de choque das lógicas macabras, em cenas vistas, revistas e não vistas, explosões, animações, teorias, suicídios, uns pulando de mãos dadas, outros arriscando um pleno vôo de pedra, de braços abertos rumo ao chão, escombros e fuligem, memória e análise, monotonia e vibração, conforme a momentânea variação de temperamento do espectador.

Na marasmática sucessão dos dias, voi à la à votação da permanência de Renan no Congresso. Votação secreta e manjada, tudo nos conformes. E, claro, eis que no dia seguinte, 13/09, acontece o inesperado: a estrela meio embaçada do Pedro de Lara decolou, finalmente indo brilhar alto, lá no firmamento. Já que não há mais o que falar de Renan, falemos de Pedro de Lara. Nunca se falou tanto de Pedro de Lara e tão pouco de presidente do Senado. Ce la vie: onde a estrela de uns brilha, a de outros se apaga. Ou vice-versa, como melhor servir.

Sigamos, sigamos a passo perdido os fatos e os dias: na Bahia, comemorar os cem anos da dona Canô; em Brasília, acompanhar a árdua tarefa do senhor governador, que mui gentilmente solicita à Câmara Legislativa adequar-se à legalidade fiscal, para que possamos tomar um emprestimozinho de dois bilhões com o BID.

Certamente preocupado com estas e outras ingentes ou singelas ocorrências e efemérides, foi que nosso presidente buscou ocupar-se, no período, de ações prioritárias, tais como nobremente angariar negócios e divisas junto à gélida realeza nórdica e, depois do nobre esforço, relaxar no verão Sevilhense. Justa a causa, justo o prêmio.

Aguardeis, aguardemos, descrentes, incrédulos! Aguardemos coisas novas! A pauta dos dias prevê a votação da CPMF, alterando-se esse obscuro P da sigla para PERMANENTE. E Renan já avisou que não sai. Aguardemos o próximo 11/09. Onde a realização das profecias milenaristas? Onde o fim do tédio? Eu, que já tive oportunidade de passar as vistas por alguns dos Diálogos dos Mortos de Luciano, sei que não é lá no Orco que a modorra tem fim: aqui, pelo menos, apesar das queimadas intensas, ainda há os ipês em flor. Não é pouco.

 


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Georges-Pierre Seurat nasceu numa abastada família burguesa em Paris, e estudou na Escola de Belas Artes, para onde entrou em 1878. Contribuiu para a pintura francesa ao introduzir uma técnica mais sistemática e científica, chamada divisionismo ou pontilhismo a que ele chamou Pintura Óptica.



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