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Colunas: VÉRTEBRA

por Rã Cinza


... e tem aquele texto louco, quem inventou, sei lá, mas como já disseram sobre a língua com seu poder fascista..., é tem isso mesmo, mas há alternativas, bem isso até poderia ocorrer se houvesse vontade, sai largando tudo por aí e vê no que dá, você tem essa coragem, às vezes, subitamente quando me enche o saco de falar direitinho, e isso é fascista mesmo porque esse direitinho tem certo o sentido, quer dizer você vai falar com Alguém aí quer falar direitinho, de certa forma uma boa parte se acostuma, e a outra ou se faz valer na diferença ou está fudido mesmo, não tem jeito pra esses o pau come, e a margem será o exclusivo lugar, tem perto do Campo Grande um desses que sempre está desenhando no chão, ele é todo distinto e já virou invisível, outra também anda tão rápido e volta e meia aparece nua em pêlo pouco pêlo, acho que eu já vi, por isso mesmo acho que é um bom exercício o da desmontagem, faz proliferar as coisas os entendimentos, é mas pra isso ocorrer tem de desistir ou pôr de lado a vontade do direitinho, é fazer o avessinho, até porque pra uns as coisas serão sempre revisitadas não tem essa de pronto e acabou, fica um dia de olho virado, noutro vidrado, noutro... por aí vai mas nunca tem o ponto, tudo é a onda, tem um cara que diz renitente sobre viagem – viagem isso e aquilo, é viagem a quilo, lembro da conversa do doido que dizia ter ido ao  restaurante e lá estava escrito: comida self service  quando ele foi colocar a comida no prato uma mulher tirou o talher da mão dele e brava disse que era ela que iria servir ele questionou dizendo que na placa dizia ser um restaurante de comida a quilo  um self service ao que a senhora respondeu – serve serve... aqui eu que sirvo sim senhor, ficou nisso, e aí, aí que ele comeu e foi embora, a gente sempre come e vai embora de um jeito ou de outro e essa conversa de self service... acho que já ouvi em algum lugar algo sobre não haver metáfora, será... sei lá, também já ouvi sobre não haver tempo... eu não sei você mas tempo é um bem apertado é tanta coisa pra fazer acabo sempre reclamando, por isso mesmo estou gostando de pensar de um jeito prático na não falta só tem é proliferação de atividades, hum... sei sei, fala mais sobre isso, vá à merda, fala mais sobre isso quem é você você sabe tão bem do que estou dizendo está tão junto que volta e meia angustia com isso que conversa é essa eita, se retou foi... então deixa eu colocar o pitaco de um jeito palatável se fossem números ah achei os números que eu tinha dito que perdera, é muito papel, a gente convive com eles o tempo todo, será que a gente vai virar um desses também... pode ser um tenho um gosto na garganta que é gosto de um tipo específico de papel é o do papel higiênico ele sobe e sobe deve ser alguma memória morfogenética... tem gente que diz pra outra... você está com cara de cu, por falar nisso você viu os comentários daquela moça que dizia da qualidade eufênica estudo desenvolvido a partir dos fenótipos parece que é a intersecção da aparência visível de um organismo e da sua função, pensar é bom, muito principalmente considerar alternativas as idéias de constrição de escassez de poder, quem agüenta ficar só nisso, por isso que o que não falta é doideira, além do mais tenho refletido muito sobre a intolerância essa coisa de criticar de julgar arre... ficas também farto de semi-deus, oh trago o outro eu que esses dias disse sobre: eu com a Psicanálise, nem o cheiro ando sentindo respeito vez por outra leio algum texto que remete a mas a deixei ali como um extintor que pretendo não usar até porque ando avesso a calor, fogo e incêndio eu com a tia literatura ando aprendendo o suficiente para me livrar de algumas que a vida prega me tornei um desiludido de bem com a vida médio negócio e não sou um cretino fundamental (nelson rodrigues), ah é por isso que a gente é narcisista esses outros eus são tão encantadores, opa é só lembrar da gente na faculdade quando ele chamava um tanto de gente de animal de teta... quando ele dizia que Deus estava em seu bolso... eu duvidava e ele me mostrava a caixinha tarja preta, eles ficam com a gente dão voltinhas como mariposas na lâmpada estão sempre aparecendo, este é o solar até porque faz sombra quente que a gente descansa ativo, têm outros que multiplicam outras distensões e dói demais dói quando estão próximos dói quando estão longe quando já passam a compor o mundo com as contribuições mais elementares, é incrível mas alguns demoram tanto pra saber dessas realidades, impressionante, fazer o quê... nós somos apenas comedores de livros, que tipo de planta você vai virar, eu não sei direito... melhor eu sei sim vou virar erva daninha rima bem comigo, e você, eu virarei uma planta de mar já reparou que quando um saco plástico dança no ar ele se assemelha muito muitíssimo mesmo com as plantas dos mar rola um despregar-se do peso, taí talvez seja isso uma forma de fazer literatura soltar-se até se despregar dos pesos, aí não tem mais agonístico... não tem mais o certo o errado tem só movimento e um movimento tão belo tem uma leveza oximórica, um plástico que voa, é mesmo, é só o ser um acontecer que não pede nada não reclama apenas é em conjunção... compõe partilha informa visivelmente enquanto ente combinântico, mas isso não tem humor, não não tem, é como a música, a melhor dança realiza o céu e o som juntam-se de modo inominável, eu já vi planta dançar, eu idem, tenho reparado no que o tempo faz com as pessoas o jeito de correr se modifica, talvez seja um amor e uma resistência um apego à vida querer dançar, pode ser, em nós o eterno tem seu lugar cativo celebrado por tantas e tantas histórias isso não pára, contar histórias poderia ter a ver com a vontade de dançar, é tudo deslocamento e deslocamento é traço e traço é memória, sim você é sempre assim, sou, isso tem uma graça, é mas às vezes cansa cansa o outro e me cansa, às vezes é pura vitalidade e alegria em mim habita uma mania, você fez isso por querer, sim fiz porque vem uma rima fácil grácil, ai ai isso é um tipo de inspiração, eu que sei das minhas limitações em relação a dança tenho de operar no registro do humor deixar correr solto e levitar um pouco sentir-me acima uma sensação boa de subir subir, coisa doida, também acho viver tem disso mesmo não é só repetir o tempo todo... nem dá... para alguns a repetição é um luxo e aí pra viver tem de inventar e bancar... acho que a rima poderia ter uma função de eco de nó que prende pelo som, pela imagem acústica, é isso você é mais careta do que eu... você quer sempre amarrar as coisas sem poesia, pode ser mas também passo a mão nos seus cabelos nas suas costas no seu peito quanto você perde o humor e fica doendo pelos cantos sem conseguir dormir, ok ok agradeço não vamos brigar por isso, melhor assim que nossas brigas sejam apenas necessárias e pontuais... que nos organizemos enlacemos as mãos e depois desenlacemos pois é sabido que tudo passa, você me emociona, é porque é dia dos mortos, dois mortos, muito mais que isso... se somos vários muitos já não estão mais conosco... partiram deixaram lembranças, agora numa possível metade do percurso guardo com tanto carinho algumas marcas e me permito querer... mesmo sabendo que de nada adianta querer que certas coisas fossem diferentes, é a sina, é sim coisas da transitoriedade, tem aquele texto tão bonito do freud que fala do poeta e da flor, pois é como poderíamos pôr um ponto nisso tudo se as coisas apenas caminham

“meu Deus, por que o mundo me comove tanto? É só dar dois três passos, ver o olho do cavalo, ver o olho da vaca, ver o homem meu Deus, o homem, esse abismo mais fundo que me come, meu Deus a memória tristíssima de tanta inocência, como eu gostaria de arrancar a minha pele sem medo e mostrar meu todo para o outro.”
hilda hilst

          
           


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Maiesse Gramacho é jornalista, nasceu e mora em Brasília e colabora com a Verbi21. Visite seu portfólio fotográfico.




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