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Ensaio
Cinematizações – idéias sobre literatura e cinema
Por Alex Cojorian

 

Renato Cunha é um sujeito prolífico e rigoroso, sempre atento às mínimas questões de tudo quanto toca: seja como realizador cinematográfico – ficção ou documentário, autor dos curtas O Terceiro Baile (2002), Faça o Bem Sem Olhar a Quem! (2003), O Reinado Nosso de Cada Ano (2005) e Bibliofagia (em produção) – seja como escritor, não deixa pontas soltas. E é o caso deste Cinematizações, em que transita entre literatura e cinema, e do qual é responsável por absolutamente tudo, inclusive pelo projeto gráfico, agradável, conciso e funcional, que reúne qualidade gráfica e preço de pocket.

Cinematizações investiga a acidentada zona de cruzamento entre linguagens: é o realizador refletindo sobre seu fazer. Este livro segue As Formigas e o Fel – Literatura e Cinema em Um Copo de Cólera (Annablume), de 2006.

Árdua tarefa é pensar, demarcar os limites de cada universo, e mais abstrato e complexo o espaço da transição. Se você não está familiarizado com nada disso, e nunca imaginou que houvesse tais questões, seja bem-vindo: Renato Cunha beneficia o leitor com o cuidado de inteirá-lo do seu processo investigativo, indo dos menores detalhes até as estrelas (do cinema, claro!)

O livro é uma espécie de obra fechada, tendo sido pensado de cabo a rabo, e cada parte se integra com todo: há sinopse (sobre o pensar que é o livro), argumento de introdução à semiótica que perpassa o processo de cinematização, e finalmente, vamos ao bolo! Que tem a parte de cima e a de baixo: “’Fora de Campo’, que se concentra na estética das relações entre literatura e cinema; e ‘Em Campo’, que enquadra, na cinematografia nacional, um momento histórico e duas produções originadas  de obras literárias”.

Os liames e os limites entre literatura e cinema parecem sobrepor-se todo o tempo, e, por isso mesmo, ao investigar a existência de uma tradição cinematográfica nacional (em “Chanchada com cê maiúsculo”), o autor pauta-se pela teoria de Antonio Candido sobre a formação da literatura nacional.

Cinematizações, palavra tão cuidadosamente burilada por este que pensa a arte que realiza em palavra e imagem, equivalente da teatralização para a sétima arte: aquilo que inadequada e grosseiramente costumamos chamar de “adaptação” – o exercício de levar para linguagem cinematográfica um texto literário ou teatral.

Cinematizações, o ato, ou o livro, é transitar pelas engrenagens que produzem aquele famoso “deus ex-machina” que nos espanta e nos encanta, e que surge tão fácil e milagrosamente como palavra e como imagem em movimento na tela do cinema.

Sempre é tempo de conferir Renato Cunha. Em livro ou na coluna Cinema Riscado da Verbo 21.

Cinematizações – idéias sobre literatura e cinema
De: Renato Cunha.
Brasília: Círculo de Brasília Editora, 2007. 128p, 7 ilustrações.
R$ 15,00


 


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